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Vitória de Macron: Abstenção e os votos na extrema-direita "estragaram a festa"

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O centrista Emmanuel Macron foi reeleito, este domingo, Presidente de França, obtendo 58,55% dos votos na segunda volta das eleições, contra 41,45% obtidos por Marine Le Pen, a candidata de extrema-direita. No discurso de vitória, Emmanuel Macron prometeu responder à raiva de quem votou na extrema-direita e ao silêncio de quem não votou no seu programa eleitoral.


Anna Martins, chefe adjunta do ministro francês da Coesão Territorial e das Relações com as Coletividades Territoriais, mostra-se satisfeita com a vitória de Emmanuel Macron, porém admite que a abstenção e os votos obtidos pela extrema direita "estragaram a festa".

RFI: Que análise faz da vitória de Emmanuel Macron?

Anna Martins: Apesar de estar muito feliz com o facto de Emmanuel Macron ter ganho as eleições, reconheço que o facto de haver uma grande taxa de abstenção e de muitos franceses terem votado em Marine Le Pen estragou um bocadinho a festa. Sentimos que não houve uma adesão ao programa do candidato Macron, que muitas pessoas não votaram porque não se identificavam com o programa dos candidatos.

Nesta eleição, verificou-se ainda uma “barragem” democrática republicana, que eu só posso evidentemente saudar e agradecer, mas que não resulta numa adesão política. Uma das minhas decepções é que não houve debate sobre o que deverão ser estes próximos cinco anos. A guerra na Ucrânia, a campanha que começou muito tarde acabaram por deixar algumas questões para trás.

No discurso de vitória, Emmanuel Macron prometeu responder à raiva de quem votou na extrema-direita, levando em conta “as suas dificuldades”, assim como a quem votou nele para travar Marine Le Pen. A mesma promessa foi feita em 2017. Cinco anos depois, a extrema-direita obtém o melhor resultado, em cinquenta anos de tentativas para chegar ao poder. Marine Le Pen fala em “vitória esmagadora”. O que é que falhou?

Falhou a comunicação. Houve mensagens que não foram passadas da melhor forma, algumas frases que também ecoaram de forma muito violenta.

Está a referir-se à comunicação de Emmanuel Macron?

Algumas palavras foram mal escolhidas, na minha opinião, ou pelo menos ecoaram no povo francês de forma negativa.

Foram falhas de comunicação, mas ele também está a pagar o facto de ser uma pessoa honesta. Ele é muito franco e, por vezes, a frontalidade pode ferir as pessoas que não recebem a mensagem de forma positiva.

Macron que chegou a ser acusado de ser o Presidente dos ricos....

Sim. Essa foi a imagem que o marcou desde 2017 por vir de um meio económico, por ter trabalhado num banco, mas há sempre críticas na história de qualquer candidato. Uns são criticados por estarem no sistema político já há trinta anos, não é o caso dele, ele é criticado por razões económicas.

É preciso referir que ele não era o candidato com maior património, mas sim Valérie Pécresse.

Ainda sobre o que falhou, Marine Le Pen optou por uma estratégia diferente da que tinha antes. Maquilhou bastante o programa para se fazer passar por uma candidata que já não é da extrema-direita, ela agora recusa ser identificada como tal, maquilhando também as suas medidas para não assustar tanto como tinha assustado no passado. O resultado também é devido a essa estratégia que, parcialmente, funcionou.

Mas se no passado se dizia que os militantes da extrema-direita vinham do mundo rural e operário, estes resultados mostram que há outras franjas do eleitorado a votar hoje em Marine Le Pen. Que comentário lhe merece o novo mapa eleitoral da França que vota em Le Pen? Ela que venceu Guadalupe e Martinica.

Os votos obtidos por Marine le Pen no território do ultramar, vou começar por aí, são votos que eram do Mélenchon na primeira volta. O que noto é que eleitores que votaram na extrema-esquerda, na primeira volta agora, na segunda volta, votaram na extrema-direita, constatando que uma ponte pode ser feita entre as duas extremidades, o que é muito preocupante.

No que se refere ao mapa eleitoral francês, acho que as coisas estão a mudar um pouco. Os jovens que têm menos estudos votam na extrema-direita e quem tem mais estudos vota em Emmanuel Macron. Estamos diante de duas franjas de eleitorado, uma que percebe rapidamente que as medidas que são propostas pela candidata Marine Le Pen são muito simplistas, escondem por vezes a realidade económica, social e política, que é real.

Há uma parte dos jovens, mas não só- os franceses de maneira geral- que vai muito facilmente acreditar nas fake news, em medidas simplistas e demagógicas, como foram algumas das medidas de Marine Le Pen. A candidata nem sequer explicou como é que iriam ser financiados os seus projectos.

A fractura que eu vejo é mesmo sobre o nível de informação de uma primeira franja e também, do outro lado, de uma capacidade em entender -ou pelo menos interessar-se por assuntos que são muito mais complexos do que parece. Aliás, o debate da segunda volta mostrou um Presidente a tentar explicar de forma pedagógica, que alguns diriam arrogante, assuntos complicados e a dizer que algumas das medidas propostas por Marine Le Pen não poderão ser aplicadas. E do outro lado, tínhamos a candidata de extrema-direita que simplificou, dando erros até nos números que avançava.

Fala-se numa fractura entre a França urbana e a França rural, numa fractura etária. Vários analistas afirmam que a França nunca esteve tão dividida, falam em três Franças. Ontem à noite, Jean Luc Mélenchon pediu aos franceses para votarem nele nas legislativas, falou numa terceira volta que permitiria sancionar o novo inquilino do Eliseu. Há quem equacione uma união à esquerda. Eric Zemmour apelou a uma união à direita. Não obstante à vitória de Emmanuel Macron, o partido ‘République en Marche’ parte com grandes dificuldades para as legislativas. Que cenário se pode vir a desenhar?

Posso dizer, de forma quase certa, que o Presidente não terá a mesma maioria que teve em 2017. Uma maioria quase absoluta que lhe permitiu levar a cabo as reformas políticas sem qualquer dificuldade no parlamento. Este ano vai ser diferente. É difícil saber se o Mélenchon vai conseguir obter assim tantos votos, até porque as eleições presidenciais são diferentes das legislativas.

As presidências são eleições personificadas, o Mélenchon arrecadou muitos votos na pessoa dele, agora quando se vai votar no deputado de uma certa circunscrição é muito diferente. Não há aquela vontade de votar numa pessoa que é o presidente do partido, é um pouco diferente.

Ele vai conseguir mais deputados, isso é certo, mas espero que o partido ‘Les Républicains’ consiga ter um grupo mais forte do que teve no passado, conseguindo fazer uma aliança com o governo para contrabalançar o número reduzido de deputados do partido ‘République en Marche’.

Nos próximos dias, Emmanuel Macron vai anunciar o nome do próximo ou da próxima primeira-ministra. Quem seria a pessoa certa para serenar o país até às legislativas?

Ele já tinha dado algumas indicações, tinha dito que o primeiro-ministro teria também a pasta da ecologia. De forma muito pragmática, terá de ser um homem ou uma mulher que tenha essa vertente ecológica, uma vez que essa pasta é muito importante para o país.

Parece-me muito complicado estar a designar um primeiro-ministro sem saber a cor política que terá a Assembleia porque não podemos governar sem a Assembleia.

Portanto, há informações que dão conta que Jean Castex poderia ser nomeado de novo para esperar até às legislativas.

Há também outros rumores que estão a dizer que poderá haver uma dissolução da Assembleia da República, mais cedo, para saber qual será a cor da maioria parlamentar e, portanto, em consequência nomear um governo que possa enquadrar-se nessa maioria porque vai haver também um equilíbrio no governo com diferentes cores políticas. Há algumas interrogações, em termos de calendário, mas também ordem para determinar a cor do governo e também da maioria. Teremos novidades no final da semana ou talvez no início da semana que vem.

A abstenção nesta segunda volta fixou-se nos 28%. Desde 1969 que não se registava um número tão elevado. O que é que Emmanuel Macron precisa de fazer para voltar a unir o país?

A abstenção foi colossal porque tivemos eleitores que não votaram porque não se identificavam com nenhum dos candidatos, mas também porque há um desinteresse dos franceses pela política, pela falta de opções políticas. Emmanuel Macron terá a responsabilidade de governar nos próximos cinco anos, mas terá que preparar as eleições em 2027 porque ele não se vai poder candidatar de novo.

Ele já tem dois mandatos sucessivos, por isso ele vai ter que preparar a associação dele, no partido ‘République en Marche’, mas também vai ter de trabalhar com os partidos de oposição para tentar devolver credibilidade aos partidos tradicionais, que ele próprio quase matou em 2017. Porque se não houver um candidato forte, da parte dele, em 2027 será um tapete vermelho para a extrema-direita. Ele vai ter de trabalhar o partido dele, mas também os partidos tradicionais para que possam de novo propor alternativas credíveis ao povo francês.

 

 

 

 

 

Fonte:da Redação e da rfi
Reeditado para:Noticias do Stop 2022
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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