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Moçambique: "para chegar à Paz é preciso negociar"

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O sistema democrático em Moçambique não pode funcionar com base na desconfiança", alerta o historiador moçambicano, António Sopa, lembrando que "ainda existe muita desconfiança entre os partidos políticos do país".


RFI: Moçambique tem vários partidos políticos, mas podemos dizer que durante muitos anos foi bipartidário e que esta cultura de concentração de poder uma só figura advém do colonialismo ditatorial, da concentração de poderes que teve Samora Machel?

António Sopa: Eu acho que era o modelo socialista da época, não havia outro não havia outra referência e a gente queria tirar uma imagem diferente do sistema colonial. Caímos depois no outro lado, mas hoje mudou mas as coisas concentraram-se aí. A Frelimo tem muita dificuldade nesta coisa de partilhar o poder, vai ser o extremamente difícil e os partidos da oposição são de uma fragilidade extrema. Acho que temos dois partidos porque todo o resto é mais ou menos um carnaval político, que não tem nenhuma expressão e serve um bocado para encher as páginas dos jornais. A Renamo, sem querer, é muito herdeira também dos métodos do partido Frelimo, muita gente saiu da frente entrou nesse partido. A máquina de funcionamento é muito semelhante.

A Renamo é ofuscada pela Frelimo?

Eu acho que a Renamo tem o seu espaço, e ainda não sabemos muito bem se as nossas eleições são realmente os votos são contados realmente ou não, mas acho que tem um espaço e tem o seu leque de aderentes e está presente. Mal ou bem são eles que realmente levantam às questões e as questões vêm para a rua e são batidas Mas, por exemplo, toda esta passagem agora dos últimos acordos entre a Frelimo e Renamo é muito difícil. É um processo que vai vagarosamente e reflecte as muitas confianças que existem. O sistema democrático não pode ser nesta base e reflecte-se depois na desconfiança existe entre as pessoas.

Isso reflecte-se na vida e condições que têm os habitantes de Moçambique?

Eu acho que o cidadão percebe que tem de tratar da sua vida e que aquela ideia que a Frelimo, quando chegou que tratava da vida da pessoa desde nascer até morrer e isso acabou, hoje ninguém apoia ninguém. Todo o apoio social desapareceu porque era colonial, mas não foi criado praticamente nada para substituir. Portanto, hoje, um cidadão que é pobre enfrenta as mesmas condições e os mesmos problemas qu e um cidadão rico.. em relação à farmácia pagam medicamento pelo mesmo preço. As pessoas sabem que têm que sobreviver de qualquer maneira. Eu acho que muitos problemas sociais que existem em Moçambique são o resultado desta insegurança que as pessoas têm, tem que lutar pela vida e não sabe o que é que pode acontecer amanhã.

O que é que mudou em 50 anos?

Eu acho que é uma coisa que a gente às vezes não tem consciência, mas que está presente... é que o país é gerido por moçambicanos e muitas vezes não temos consciência disso, mal ou bem são os moçambicanos que estão à frente das coisas.

Moçambique é um Estado soberano.

Sim é isso. E essa é grande conquista que nós tivemos. Depois há toda uma serie de problemas, mas não quer dizer que não haja tensões para melhorar coisas dentro das instituições, existem, mas as coisas não são tão rápidas como nós queremos.

Por que motivo é que não são tão rápidas é por causa desta concentração de poderes. A juventude do partido no poder, a Frelimo, quer que o Presidente Filipe Nyusi se mantenha com um terceiro mandato. Essa questão está em cima da mesa?

Essa questão está sempre em cima da mesa, mas não é uma questão particular de Moçambique porque esta questão da mudança das lideranças impõe-se sempre com muita agoniza porque à volta das figuras há toda uma elite que funciona e que governa e sempre que essa figura muda é preciso criar outra vez uma nova estabilidade, com outras figuras. E isso é uma coisa muito complicada, muito demorada sempre que há eleições levanta-se essa questão.

A questão aqui também é será que o partido no poder, a Frelimo, tem alguém preparado para suceder Filipe Nyusi?

A Frelimo, bem ou mal, tem os melhores políticos do país. Podem existir confrontos internos para escolher a figura que vai ser apresentado, mas que figuras existem, existem, não não tenho dúvidas sobre isso.

Uma revisão constitucional é solução?

Acho que não há coragem para fazer isso. Não se sabe muito bem o que é que isso vai levantar em termos de oposições e ninguém terá muita coragem de levantar isto. Eu acho que, pelo menos desta vez, essa questão coloca-se para ver as reacções e as reacções na rua são sempre contra essa revisão constitucional.

Filipe Nyusi herdou de uma guerra no norte do país, uma guerra que se tem vindo a prolongar há décadas e que se intensificou com ataques e violências cada vez mais recorrentes no último mandato do Presidente.

Acho que foi um projecto que alguém montou para conseguir criar uma zona de influência e depois desembocou nesta guerra. Isto é uma guerra que penso que vai transcender o mandato do Presidente Nyusi e de quem vier a seguir. Vai ser uma situação muito complicada e não sei como é que vai evoluir, mas neste momento a situação não está controlada e os ataques continuam pequenos ou grandes. Isto gera instabilidade que não se quer. O projecto o gás vai para a frente quando houver estabilidade se não existir vai continuar a ser adiado.

Como é que se pode chegar à Paz?

Uma parte já está a ser lançadas as semente que é projectos de desenvolvimento. A zona norte foi sempre a zona que ficou mais atrasada. Quando o eixo económico da colónia se deslocou da ilha de Moçambique para Lourenço Marques, naquela altura, aquela parte ficou mais abandonada. É preciso dar-lhe um imput qualquer económico. A questão militar impõe-se e é preciso controlar com ordens militares...

E está a ser feita com forças do Ruanda e da SADC...

Mas falta uma coisa negociar com quem ? Quem são as figuras, não se vê ninguém, quer dizer falta essa componente não é para chegar à Paz é preciso negociar. Não sei como é que é possível fazer essa paz, não sei se alguém subterrâneo está a fazê-lo. Não sei se haverá algum também com algum empenho político em fazer esse diálogo porque são terroristas, logo isso à partida estabelece um distanciamento.

Que terroristas são esses?

Ali naquela zona há muita gente. África um é um continente poroso, as fronteiras existem, mas as pessoas circulam pelo continente. Aqui, sistematicamente, quase todas as semanas, são presos ilegais, pessoas que vêem não sei aonde, e que são presos. As fronteiras existem, mas as pessoas passam com uma facilidade incrível portanto há gente em todas as partes.

Na semana passada, registaram-se incidentes em cinco distritos no norte de Moçambique, desde de ataques a veículos a escaramuças de pequena escala. Houve também sinais de alguma sofisticação técnica por parte dos insurgentes, foi avistado um drone em Pemba, e um dispositivo explosivo improvisado na N380. O historiador moçambicano António Sopa descreve um processo rápido e violento que gera reacções em cadeia.

 

 

 


Fonte:da Redação e da rfi
Reeditado para:Noticias do Stop 2022
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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