RSF acusa regime do Burkina Faso de usar "milícia digital" contra jornalistas

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A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) revelou nesta semana que o regime militar que governa o Burkina Faso teria criado uma estrutura de ciberativismo – denominada Brigada de Intervenção Rápida da Comunicação (BIR‑C) – para difundir propaganda oficial, lançar campanhas de desinformação e exercer pressão sobre jornalistas e outras vozes críticas. A investigação publicada pela ONG aponta que a BIR‑C funciona como uma espécie de "milícia digital", reunindo apoiantes do poder e, segundo a RSF, membros de órgãos governamentais. Estes ciberativistas utilizariam redes sociais, fóruns online e plataformas de mensagens instantâneas para espalhar narrativas favoráveis ao governo, ao mesmo tempo que atacam e intimidam profissionais da imprensa que questionam a atuação das forças militares no país. A situação de liberdade de imprensa no Burkina Faso tem-se deteriorado desde o golpe militar de janeiro de 2022, que depôs o presidente eleito e instalou um governo de transição liderado pelos militares. Desde então, relatos de detenções arbitrárias, fechamentos de meios de comunicação e restrições ao acesso à internet têm sido frequentes. A revelação da RSF sobre a BIR‑C acrescenta uma nova camada de controvérsia, ao sugerir que o regime não só controla os meios tradicionais, mas também mobiliza recursos digitais para silenciar a crítica. Em comunicado, a RSF condenou a prática, classificando‑a como uma grave violação dos direitos dos jornalistas e um obstáculo ao exercício da liberdade de expressão. A organização apelou ao governo do Burkina Faso para que desmantelasse a brigada e garantisse a proteção de todos os profissionais de imprensa, independentemente da sua linha editorial. Até ao momento, as autoridades não responderam oficialmente às acusações, embora representantes do regime tenham reiterado que a segurança nacional é prioridade e que quaisquer intervenções online são destinadas a combater a desinformação que, segundo eles, alimenta grupos extremistas. A existência de uma "milícia digital" levanta questões sobre a evolução das estratégias de repressão em contextos autoritários, sobretudo numa região onde a internet tem vindo a tornar‑se um espaço central para a mobilização política e a difusão de informação. Observadores internacionais alertam que a combinação de força militar e controle cibernético pode criar um ambiente ainda mais hostil para o jornalismo investigativo e para a sociedade civil. Enquanto a comunidade internacional acompanha de perto o caso, a RSF reforça o seu pedido de investigação independente e de sanções contra os responsáveis, caso as alegações se confirmem. A liberdade de imprensa no Burkina Faso, e na África Ocidental em geral, depende agora de como estas acusações serão tratadas pelos poderes constituídos e da capacidade das organizações de direitos humanos de pressionar por mudanças concretas.

Fonte: da Redação e da Rfi
Reeditado para: Noticias do Stop 2026
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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