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Acesso da sede do sindicato guineense UNTG vedado à direcção reeleita em Outubro

Guiné-Bissau
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Na quarta-feira à noite, a sede do principal sindicato da Guiné-Bissau -UNTG- foi vedada pelas autoridades e esta tarde, as fechaduras do escritório do secretário-geral do sindicato foram mudadas, afirma Júlio Mendonça, dirigente da central. O secretário-geral da UNTG aponta o dedo às autoridades que a seu ver pretendem silenciar a voz do sindicato e colocar no seu lugar outro líder alegadamente escolhido por si.


Em causa está a reeleição litigiosa em Outubro do ano passado de Júlio Mendonça, como secretário-geral da UNTG, com acções a serem intentadas junto da justiça por outro candidato à liderança do sindicato, Laureano Pereira da Costa, no intuito, a seu ver, de interromper ou perturbar o processo.

Na semana passada, já depois da direcção eleita em Outubro retomar as funções de liderança da UNTG, outro congresso foi organizado em nome do sindicato pela ala dirigida por Laureano Pereira da Costa, que entretanto foi eleito pelos seus participantes para a liderança da central. Um congresso legal, segundo os seus organizadores, o que contesta Júlio Mendonça.

"Fomos surpreendidos desde Março de 2022, quando estávamos a preparar o processo de renovação dos órgãos sociais. Começamos logo a sentir a interferência do executivo. Logo, neste caso, apareceu um candidato que para nós era uma encomenda autêntica, porque ele está a viver em Portugal há dois anos e o executivo fez questão de trazer para a Guiné. O propósito era apenas interromper ou perturbar o nosso processo. Nós insistimos e chegou o momento em que, nas vésperas do congresso, entrou com uma providência cautelar. Nós quando estávamos no congresso, apenas suspendemos o congresso, porque havia uma decisão judicial", começa por relatar o sindicalista.

"Passaram 5 meses, tivemos uma sentença sobre o caso principal em que ganhamos. Quando fomos terminar os trabalhos, fomos surpreendidos com a intervenção do Ministério do Interior em que enviaram polícias para impedir a conclusão dos trabalhos do congresso. Fizemos tudo e conseguimos mesmo terminar os trabalhos. Depois do empossamento, aos seis meses, o mesmo senhor voltou à ribalta, com o apoio do executivo, sem dúvida. Isso foi no dia 28 (de Abril de 2023), ouvimos na rádio que iriam fazer um congresso deles. Criaram uma comissão com militantes do partido que suporta o governo e fizeram essa brincadeira. Uma reunião apenas do partido. Os delegados do congresso, os membros dos órgãos sociais da UNTG, o presidente da mesa, não estavam presentes. Inventaram tudo isso", refere Júlio Mendonça.


"Quarta-feira, fomos surpreendidos à noite, porque disseram que iram tomar posse. Nós sabemos que não têm como assaltar se não tiverem ajuda do governo, através do Ministério do Interior. Foi isso que aconteceu. A partir das 20 horas da noite de quarta-feira, fomos surpreendidos com a invasão da polícia. Invadiram a nossa sede e impediram as pessoas de entrar. Ontem, todo o mundo foi lá, ninguém estava à altura de nos informar sobre o motivo da presença da polícia", relata o responsável sindical.

"Na quarta-feira à noite, recebi uma chamada do Presidente em que demonstrou preocupação face à situação que se está a passar na nossa central. Tive tempo de lhe explicar tudo. Ele deu a garantia de que não iria permitir a desordem. Infelizmente, a desordem aconteceu hoje porque ontem à tarde soubemos que através do Ministério do Interior, violaram a porta principal da nossa sede. Hoje, combinaram o ataque, violaram o meu gabinete e mudaram as fechaduras e entregaram a chave ao candidato 'fabricado' por eles, obviamente, que é Laureano Pereira da Costa. Nós fomos expulsos, já não temos como ter acesso à nossa sede", lamenta Júlio Mendonça para quem "está claro que é um trabalho maquiavélico feito pelo executivo de silenciar, aniquilar por completo, a liberdade sindical na Guiné-Bissau. Razão pela qual fizeram um ataque contra a sede da principal organização sindical que é a UNTG."

Questionado sobre a sua reacção face a esta situação, o sindicalista refere ter já informado uma série de entidades, mas admite estar com poucos meios para fazer mais. "Nós já tínhamos feito várias denúncias junto dos nossos parceiros internacionais, principalmente a Confederação Sindical Internacional da Região de África, fizemos junto da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a Confederação Sindical da CPLP, fizemos todas as denúncias para demonstrar a nossa aflição e os ataques de que estamos a ser alvo pelo executivo actual. Houve reacção da Confederação Sindical Internacional da Região África que enviou uma nota ao Presidente da República, inclusive agendaram uma visita para a Guiné-Bissau no dia 17 e 18 (de Maio). Sobre este assunto, nós já enviamos uma carta ao Presidente para confirmar essa vinda. Ele disse que vai recebê-los. Só que neste ambiente em que estamos a viver agora, de uma ameaça clara ao princípio da liberdade sindical na Guiné-Bissau, em que fomos frontalmente atacados pelo executivo através do uso da força, nós não temos mesmo meios, não podemos reagir", lamenta Júlio Mendonça.

Refira-se que também nesta sexta-feira, a residência de um comentador e responsável político do PRS, Fransual Dias, foi atacada de madrugada por homens armados, o seu carro tendo sido carbonizado. Ambas as situações condenadas hoje pela sociedade civil guineense, acontecem num contexto político sensível, numa altura em que o país se prepara para organizar eleições legislativas antecipadas marcadas para o dia 4 de Junho.

 

 

Fonte:da Redação e da RFI
Reeditado para:Noticias do Stop 2023
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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