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Líderes tradicionais protestam contra Governo do MPLA

Angola
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Líderes tradicionais fizeram-se à estrada, em Malanje, e percorreram quase 300 quilómetros em protesto contra o Governo do MPLA, que sempre apoiaram. Dizem que foram esquecidos pelo Executivo angolano e pedem mudanças.
A iniciativa é "inédita" em Angola. Numa marcha de protesto que durou sete dias, 37 líderes tradicionais percorreram a pé mais de 280 quilómetros para dizer "chega" ao Governo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).


O regedor Zacarias Pedro conta que a vida na sua terra é um autêntico drama: falta apoio à população, os produtos básicos estão cada vez mais caros e os agricultores não conseguem escoar as colheitas para a cidade, porque faltam estradas.
"As coisas estão a apodrecer, não aparece sítio para vender, é o motivo que nos trouxe aqui. Tudo sofre, sabão é crise, tudo é crise", lamenta.
Conceição Augusto, conhecida por "rainha Kapanda", também se mostra desesperada com a situação.

"Faz-me vir as lágrimas aos olhos, a forma como o Governo nos está a tratar".
Fartos de promessas
O Governo esqueceu-se da população, resumem os líderes tradicionais. E, para agravar a situação, não foram recebidos em Malanje, apesar de terem percorrido tantos quilómetros, desde as suas terras.
O soba Gaspar Dunji, da aldeia de Marimba Nzenza, diz que está farto das promessas do governador provincial, Norberto dos Santos, e do MPLA.
"Ele disse que podiam marcar audiência ou podiam pedir ainda na administração municipal. Não, nós já estamos chateados! Sempre nos prometem estradas", explicou indignado.
A revolta das autoridades tradicionais pode ter repercussões nas eleições gerais deste ano, afirma o advogado Joaquim Ernesto.
"É um facto inédito, as autoridades tradicionais sempre foram cúmplices na manipulação da comunidade para que aderissem às questões das políticas falhadas. A palavra do soba dá sorte e dá azar, e se os sobas querem que se mude o paradigma de governação, têm um papel muito importante naquilo que é a tomada de decisão da comunidade no que diz respeito em quem votar", justifica.
"Não vamos votar"
O soba Gaspar Dunji promete que o seu povo não vai votar se as autoridades provinciais continuarem a ignorar os seus apelos.

"Nós não vamos votar! Estamos a falar claramente, o senhor Presidente da República deve saber. Este ano devemos ver a nossa estrada reabilitada. Sem reabilitação, não vamos votar", sublinhou.
Pedro José, o soba geral da Comuna de Mangando, reforça o alerta aos governantes do MPLA.
"Se o governo não olhar por nós este ano, a nível geral da comuna de Mangando, município de Marimba, se não tivermos a nossa estrada, não vamos votar, porque não somos considerados como angolanos".
Em resposta, Fernandes Cristóvão, diretor do Gabinete da Cultura, indicado pelo Governo provincial para negociar com os sobas, reconhece que há dificuldades nos acessos, mas indica que já foram feitos trabalhos para minorar esses problemas.
"No âmbito do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), o município de Marimba beneficiou de oito projetos. Dos oito, três são de terraplanagem justamente para facilitar a circulação de pessoas e bens", garantiu.

 


Fonte:da Redação e da DW
Reeditado para:Noticias do Stop 2022
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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