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O que falta para Moçambique ser realmente uma alternativa ao gás russo?

Nacional
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A União Europeia já admitiu que o gás de Moçambique é uma alternativa face à dependência do gás russo. Economista diz que o país deve assumir o papel de "ator principal" nesse mercado e não depender das multinacionais.
Numa altura em que a Europa procura diversificar as fontes de energia face à dependência da Rússia, a UE considera que o gás de Moçambique é uma alternativa.


Segundo a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), detida pelo Estado moçambicano, para fornecer gás à Europa seria necessária a construção de uma segunda plataforma flutuante de produção de gás natural liquefeito, similar à existente na Bacia do Rovuma.
Em entrevista à DW África, o economista Rui Mate defende que, por um lado, Moçambique tem de começar a mostrar "alguns avanços" aos investidores europeus e, por outro lado, deixar de depender das multinacionais estrangeiras que operam no setor e acabam por ditar "as regras do jogo".
DW África: O que falta para que Moçambique se posicione efetivamente como uma alternativa ao gás russo?
Rui Mate (RM): Moçambique tem de começar a mostrar aos investidores europeus alguns avanços - por parte do próprio Estado - porque neste momento todos os investimentos são das empresas multinacionais e são elas que, de certo modo, vão ditando as regras do jogo. Então, há alguns passos que Moçambique tem de começar a dar para ver como pode exercer influência neste cenário.
Moçambique deve, por si só, começar a ver a possibilidade de criar uma empresa estatal que faça essa exploração. Deve procurar uma alternativa e ver como pode viabilizar esses projetos e entrar neste mercado de produção de gás sem depender muito dessas outras empresas; deve ser o ator principal, o líder da exploração dos projetos. Porque, até agora, o que acontece é que Moçambique participa como um sócio.
DW África: Apesar dos avanços alcançados, sabemos que o terrorismo ainda não foi erradicado em Cabo Delgado. A insegurança na província continuará a ser um entrave?
RM: É verdade que, em parte das reservas, a exploração será em terra, não será no alto-mar. Mas temos um projeto liderado pela Exxon Mobil, que também está dependente da estabilidade na província e que, neste momento, coloca em causa a exploração destes recursos. Se esse projeto avançar, será uma grande fonte de fornecimento de energia alternativa àquela que a Europa tem neste momento da Rússia.
Apesar da Exxon Mobil ter condicionado [o seu regresso e ter dito] que voltaria apenas com o retorno da Total, o seu projeto não é muito afetado pela situação que ocorre em terra. Estará em alto-mar. Sabe-se que esse projeto é um dos maiores investimentos na área.
DW África: Ainda que o país tenha reservas de gás na ordem dos 180 triliões de pés cúbicos, o gás dos projetos aprovados já tem destino. Terá Moçambique capacidade de resposta para fornecer o mercado europeu, com produção em grandes volumes?
RM: Numa primeira fase, seria um desafio, porque era preciso muito investimento para poder ter essa capacidade de fornecimento. É algo que não estava nos planos iniciais do país, mas tem de começar a ser colocado em cima da mesa. Moçambique tem de começar a ver como pode responder a essa demanda e mostrar novas formas de atuar dentro do setor. Não deve atuar apenas como um país que fornece os recursos porque estão aqui localizados, mas também como um país que pode extrair esses recursos e fazer a exportação de forma direta, através da sua própria capacidade.
DW África: Moçambique tem pautado pela neutralidade em relação ao conflito na Ucrânia, mas é conhecida a relação estreita e histórica que tem com a Rússia. Essa posição em relação a Kiev pode prejudicar o país nesse aspeto?
RM: De certa forma, os aspetos comerciais e políticos se cruzam em algum momento. Sendo Moçambique uma alternativa ao gás da Rússia, pode, de facto, constituir para a Rússia alguma ameaça - não se posicionando a favor, a Rússia pode começar a gerar algum conflito. Moscovo pode começar a forçar Moçambique a tomar uma posição. Afinal de contas, de que lado está?
A Rússia está atenta a todos os países que constituem alternativas de fornecimento naqueles produtos em que ela é hegemónica. Quando esses países começam a responder, vão enfraquecendo a posição que a Rússia tem. E a Rússia não quer ser enfraquecida neste momento.

 

 

 

 


Fonte:da Redação e da DW
Reeditado para:Noticias do Stop 2022
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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