Assistente social ajuda crianças acusadas de bruxaria

Voluntária de ONG alimentando uma criança de 2 anos rejeitada pela sua comunidade na Nigéria

Mundo
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A imagem mostra Anja Ringgren Lovén, fundadora do African Children's Aid Education and Development Foundation (DINNødhjælp), alimentando uma criança de 2 anos rejeitada pela sua comunidade na Nigéria.

Em suas fotos ela aparece dando comida e água à criança e envolvendo-a em um cobertor. Ela então leva o garoto até o hospital, de acordo com o New Zealand Herald, para ser tratado por micose. 

 

A publicação agora conta com 16 mil curtidas, e dentro de dois dias conseguiu 1 milhão de Danish Krone (ou aproximadamente 150 mil dólares) em doações para a organização. 

 

"Milhares de crianças estão sendo acusadas de serem bruxas e já vimos torturas, mortes e crianças extremamente assustadas", disse Lovén em seu post no Facebook.

 

"Isso nos mostra nosso motivo de lutar. É o motivo pelo qual eu vendi tudo o que tinha. É a razão para entrar nesse território inexplorado".

 

A sua organização sem fins lucrativos, fundada em 2012, ajuda crianças acusadas de bruxaria ao trazê-las para o orfanato da instituição onde recebem abrigo, cuidados médicos, alimentação e educação.

 

Uma semana depois de subir as fotos originais, Lovén publicou uma atualização que destaca uma criança, quem ela chamou de Hope, que aparece saudável e feliz após ter sido tratada.

 

Quando se trata de cuidar de crianças acusadas de bruxaria, a realidade é bem mais complicada do que as fotos conseguem passar.

 

A crença em bruxaria ou a capacidade de prejudicar os outros com seus poderes sobrenaturais, por exemplo, ao causar doenças ou outros infortúnios, é "bem difundida” nos países sub-Saharan, de acordo com um relatório da Unicef de 201, Crianças Acusadas de Bruxaria.

 

Milhares de crianças são acusadas de bruxaria e subsequentemente sofrem abusos, abandono ou são mortas. O número exato de vítimas é difícil de analisar, mas o relatório da Unicef cita um especialista em 2003 que estimou que havia umas 23,000 crianças acusadas de bruxaria e vivendo sozinhas nas ruas de Kinshasa.

 

“Esse fenômeno [relacionado as crenças de bruxaria] são frequentemente falsamente associados com a 'tradição africana'", diz o relatório. "[Eles] são totalmente ou parcialmente mal-compreendidas pelos observadores ocidentais”.

 

Uma variedade de fatores políticos e econômicos contribuem para perpetuar as acusações de bruxaria hoje, de acordo com o relatório da Unicef. Por exemplo, o conflito político e as guerras civis podem ser responsáveis por famílias de poucos recursos e um grande número de crianças órfãs, ficarem vulneráveis a essas acusações.

 

"Acusações de bruxaria contra crianças podem ser uma direta consequência da incapacidade das famílias de fazer com que as suas necessidades básicas sejam supridas", disse o relatório.

 

O relatório do Unicef foi escrito especificamente para informar “agências de proteção infantil”, como a Lovén. Seu objetivo é melhorar a eficácia das intervenções dessas organizações ao promover um melhor conhecimento das representações locais e de suas crenças.

 

A Unicef recomenda uma abordagem sistêmica para mudança, em vez de focar em casos individuais:

 

“Qualquer resposta às acusações de bruxaria contra crianças deveria fortalecer os sistemas de proteção nacional de crianças para prevenir e responder ao abuso. As intervenções devem prometer mudanças sociais ao aumentar a consciência entre os líderes comunitários e trabalhar com os profissionais de Direito”.

 

 

 

Fornecido por:Exame 2016 ( Stop.co.mz )

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