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A influência do euro na economia europeia: o caso irlandês

Economia
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Duas décadas depois da introdução do euro, qual foi a influência da moeda única na economia?

A 1 de Janeiro de 2002, as moedas e notas de euro substituíram a moeda local em doze países da União Europeia. Vinte anos mais tarde, o euro é usado em dezanove países por mais de 340 milhões de europeus. Nos próximos anos, mais três países deverão adotar o euro.

O euro tornou-se na segunda moeda mais importante do mundo depois do dólar americano. 60 países e territórios fora da União Europeia usam ou estão ligados à moeda europeia

Os países da UE que adotaram o euro:

- A 1 de Janeiro de 1999, onze países da UE lançaram o euro, a nova moeda comum.
- O euro foi inicialmente uma moeda electrónica.
- As notas e moedas de euro foram introduzidas em 12 países em 2002.
- Atualmente, o euro é a moeda de 19 países da UE e de mais de 340 milhões de habitantes.
- Espera-se que todos os países da UE, excepto a Dinamarca, que negociou um opt-out, adiram à união monetária e introduzam o euro assim que preencham os critérios.

O impacto do euro na economia da Irlanda
Para a economista irlandesa Oana Peia, a Irlanda foi um dos países que tirou partido do euro. "A adoção do euro foi importante para consolidar o lugar da Irlanda no mercado único. O euro atraiu muito investimento estrangeiro direto, que representa atualmente 20% do emprego, e levou ao aumento do comércio intracomunitário, que representa hoje 40% das exportações irlandesas”, sublinhou Oana PEIA, economista do University College Dublin.

Apesar das vantagens, a economista recorda os problemas associados à gestão do euro, nomeadamente a crise financeira de 2008. “A recuperação desta crise tem sido dolorosa, mas, ao mesmo tempo, tem sido impressionante. A economia da Irlanda cresceu a uma média de 5% ao ano a partir de 2012 até pouco antes da pandemia”, frisou Oana Peia.

"Apesar de o Brexit ter causado uma grande perturbação na economia irlandesa, criou muitas oportunidades. Penso que ainda há muito espaço para aumentar o comércio com a União Europeia", acrescentou a economista irlandesa.

Os setores tecnológicos, nomeadamente a indústria farmacêutica e de materiais médicos representam 38% das exportações irlandesas.

"A nossa moeda, a libra, teria sido uma pequena moeda na Europa e, obviamente, os altos e baixos e a taxa de câmbio teriam tido um grande impacto nas empresas irlandesas. O Euro estabilizou todos esses aspetos", disse à euronews John Power, fundador e diretor da Aerogen, uma empresa irlandesa líder no mercado dos medicamentos administrados por aerossol.

Um país voltado para exportação
A empresa irlandesa emprega 400 pessoas. Os produtos são exportados para mais de 75 países para serem usados em unidades de cuidados intensivos nos hospitais.

"O nosso mercado interno é bastante pequeno, por isso, o mercado europeu é obviamente muito atrativo para nós e para os Estados Unidos. Há cinco anos, 30% do nosso comércio era negociado em euros e 70% em dólares. Nos últimos dois anos passou a ser 50% em euros e 50% em dólares", sublinhou John Power.

De acordo com o Eurobarómetro, a Irlanda é o segundo país europeu que mais confia na União Europeia.

O futuro do euro é digital?
A euronews entrevistou Paschal Donohoe, presidente do Eurogrupo que reúne os ministros das finanças dos países da zona euro.

euronews: "Tivemos a crise financeira e a pandemia. Como avalia a resiliência do euro?"

Paschal Donohoe: "Não podemos dizer que tudo foi perfeito na resposta à crise mas penso que o euro passou o teste se tivermos em conta a velocidade com que a zona euro recuperou da crise da Covid-19. A recuperação foi cerca de quatro vezes mais rápida do que na crise financeira global".

euronews: "Qual é o impacto do euro para os cidadãos europeus?"

Paschal Donohoe: "Os benefícios práticos do dia-a-dia são talvez os mais tangíveis. Houve inconvenientes no momento de mudança de moeda. Temos tendência a esquecer, que durante uma boa parte da história da União Europeia anterior ao euro , os governos e as empresas tinham que lidar com a volatilidade importante das taxas de câmbio".

euronews: "Em que ponto estão os planos para a criação do euro digital?"

Paschal Donohoe: "O Banco Central Europeu está a realizar o que pode ser descrito como um trabalho de design exploratório. O meu próprio sentimento é que se estivéssemos aqui sentados novamente daqui a vinte anos, seria bastante provável que nessa altura falássemos do euro digital.

euronews: "Quais são os principais desafios para o euro?"

Paschal Donohoe: "Um dos desafios mais importantes para a zona euro é garantir uma recuperação da economia que possa beneficiar os jovens, que faça mais para que as mulheres possam voltar ao mercado de trabalho numa altura em que se estabelecem novos padrões de trabalho, para que haja uma recuperação inclusiva e mais justa. Quero que o euro seja um sinal e um símbolo a longo prazo de uma Europa importante e resiliente, de uma Europa melhor que a anterior e que seja capaz de traçar sempre um futuro melhor".


Fonte:da Redação e da euronews
Reeditado para:Noticias do Stop 2022
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