Ásia Central reforça setor elétrico e enfrenta teste de investimento - Euronews

Asia Setentrional e Central
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A região da Ásia Central tem intensificado os esforços para reforçar o seu sector elétrico, num momento em que a procura de energia está a crescer rapidamente devido ao desenvolvimento de infra‑estruturas de transportes, à expansão da indústria extractiva e ao aumento da procura doméstica. Os principais países – Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Tajiquistão e Turcomenistão – estão a lançar projetos de modernização das redes de transmissão, a integrar fontes renováveis e a criar corredores de energia transfronteiriça que facilitem o comércio regional. Nos últimos dois anos, o Cazaquistão, que detém a maior capacidade instalada da região, avançou com a construção de novas linhas de alta tensão ligadas ao projeto CASA‑1000, destinado a transportar energia hidro‑elétrica do Quirguistão e do Tajiquistão para o sul do Cazaquistão e, posteriormente, para o Afeganistão. O projecto, apoiado por financiamento do Banco Mundial e do Banco Asiático de Desenvolvimento, representa um teste crucial para a capacidade da região de atrair capital externo e de coordenar políticas energéticas entre Estados com diferentes níveis de desenvolvimento. O Uzbequistão, por sua vez, tem apostado na energia solar, aproveitando o seu vasto deserto de Kyzylkum. O país assinou acordos com empresas chinesas e turcas para instalar mais de 2 GW de capacidade solar até 2030, com o objetivo de reduzir a dependência de gás natural e de exportar eletricidade para a vizinha Turquia através de um corredor de energia que atravessa o Mar Cáspio. Estas iniciativas são parte integrante da Estratégia Nacional de Energia 2035, que prevê a diversificação da matriz energética e a criação de um mercado interno de eletricidade mais competitivo. No Quirguistão, a abundância de recursos hídricos tem permitido a expansão de centrais hidroelétricas, mas a necessidade de modernizar as redes de distribuição tem sido um obstáculo. O governo tem buscado financiamento do Fundo de Investimento da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) da China, embora as condições de empréstimo e a transparência dos contratos estejam a ser escrutinadas por observadores internacionais. O risco de sobre‑endeudamento e a dependência de capital chinês constituem um teste de investimento que poderá influenciar a posição geopolítica da região. O Tajiquistão enfrenta desafios ainda maiores, dado o seu terreno montanhoso e a limitada infraestrutura de transmissão. O país depende fortemente de importações de energia do Quirguistão e do Cazaquistão, e a conclusão do projecto de interconexão com o Afeganistão, prevista para 2026, será decisiva para melhorar a sua segurança energética. O apoio do Banco Europeu de Investimento tem sido crucial para financiar linhas de transmissão de baixa perda, mas a instabilidade política interna pode comprometer a execução dos projetos. Por fim, a Turcomenistão, rica em gás natural, tem começado a diversificar a sua produção de energia, investindo em pequenas centrais solares nas áreas rurais para reduzir a carga sobre a rede nacional. O país tem mantido acordos de fornecimento de energia com a Rússia e a Irão, mas a sua política de isolamento económico tem limitado o fluxo de investimento estrangeiro no sector elétrico. Em conjunto, estes desenvolvimentos revelam que a Ásia Central está a atravessar um período decisivo: a capacidade de atrair investimento privado e de coordenar políticas energéticas regionais determinará se a região conseguirá transformar o seu potencial de recursos naturais em crescimento económico sustentável. A integração das redes elétricas não só reforçará a segurança energética, mas também potenciará as rotas comerciais terrestres que ligam a Ásia Central ao sul da Ásia, ao Oriente Médio e à Europa, contribuindo para a consolidação da Iniciativa Cinturão e Rota e para a estabilidade geopolítica da região. Convidamo‑lo a deixar o seu comentário e a registar‑se no Portal STOP para continuar a acompanhar as principais notícias sobre a Ásia Central e o seu papel no cenário global.

Fonte: da Redação e Agências de Negocios
Reeditado para: Noticias do Stop 2026
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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