RSF acusa regime do Burkina Faso de usar "milícia digital" contra jornalistas

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A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançou uma denúncia contra o regime militar que governa o Burkina Faso, alegando que o governo recorre a uma estrutura organizada de ciberativistas para manipular a informação e coagir a imprensa. Segundo a ONG, a chamada Brigada de Intervenção Rápida da Comunicação (BIR‑C) funciona como uma espécie de “milícia digital”, coordenando apoiantes do poder e, possivelmente, agentes governamentais, com o objetivo de difundir propaganda oficial, lançar campanhas de desinformação e intimidar jornalistas que criticam a administração. A investigação apresentada pela RSF revela que a BIR‑C opera em múltiplas frentes: cria perfis falsos nas redes sociais, espalha notícias falsas sobre acontecimentos locais e internacionais, e lança ataques coordenados contra veículos de comunicação independentes. Em alguns casos, os ciberativistas utilizam técnicas de doxxing – a divulgação de dados pessoais – para pressionar jornalistas a autocensurar‑se ou abandonar a cobertura de temas sensíveis, como a situação de direitos humanos e a luta contra grupos armados no país. A organização também aponta que a estrutura conta com recursos financeiros e logísticos provenientes de fontes vinculadas ao Estado, reforçando a ideia de que se trata de um instrumento de controle da narrativa pública. A acusação da RSF chega num momento em que o Burkina Faso enfrenta um aprofundamento da instabilidade política e de segurança, após a tomada do poder pelos militares em 2022. A restrição à liberdade de imprensa pode agravar ainda mais a crise de confiança entre a população e as autoridades, dificultando o acesso a informações verificadas. A comunidade internacional tem acompanhado de perto a situação dos jornalistas no país, e a revelação da existência da BIR‑C pode gerar pressão diplomática sobre o regime para que respeite os princípios de liberdade de expressão e proteja os profissionais da comunicação. Enquanto isso, repórteres locais permanecem em alerta, temendo represálias que possam limitar ainda mais o exercício do seu trabalho.

Fonte: da Redação e da Rfi
Reeditado para: Noticias do Stop 2026
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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