BNA mais do que duplica venda de euros, e assegura bens alimentares

BNA mais do que duplica venda de euros, e assegura bens alimentares

Angola
Typography

A venda de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial inverteu as quebras semanais consecutivas e mais do que duplicou no início de agosto, para 399,8 milhões de euros, garantindo nomeadamente salários de trabalhadores expatriados.


A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, entre 31 de julho e 04 de agosto, e surge após os 170,3 milhões de euros e 173,5 milhões de euros disponibilizados nas duas semanas anteriores, com quase um mês de quebras semanais.
Segundo o documento, consultado pela Lusa, as divisas vendidas - mantêm-se exclusivamente em euros há mais de um ano -, equivalentes a 446 milhões de dólares, cobriram as necessidades do setor petrolífero (71,6 milhões de euros), bem como operações do setor da Saúde (14,8 milhões de euros), das Telecomunicações (14,7 milhões de euros) e dos Transportes (14,1 milhões de euros), além da importação de alimentos (68,1 milhões de euros).
A cobertura de operações de vários ministérios e organismos do Estado - não especificados no documento - recebeu 77,7 milhões de euros em divisas, enquanto para a cobertura de operações de "diversos setores", refere o BNA, foram disponibilizados 95,3 milhões de euros.
Para garantir o repatriamento de salários de trabalhadores expatriados, os bancos comerciais receberam mais 4,1 milhões de euros de euros.
A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada pelo banco central no final da última semana, manteve-se praticamente inalterada nos 166,745 kwanzas por cada dólar e nos 186,299 kwanzas por cada euro, praticamente sem mexidas há mais de um ano.
No mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 390 kwanzas.
Angola enfrenta desde finais de 2014 uma crise financeira e económica, com a forte quebra das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.
Esta conjuntura levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando nomeadamente as importações.
Além disso, devido à suspensão de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários para compra de dólares desde 2016, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA (euros), como explicou em abril o governador do banco central.
"Não poderíamos ter o azar de os bancos correspondentes deixarem de fazer operações em euros. E havia este risco. Já perdemos as operações em dólares. Se perdêssemos as operações em euros era uma catástrofe para Angola, porque Angola deixaria de importar medicamentos, alimentação e todos os outros produtos necessários", disse Valter Filipe.

 


Fonte:da Redação e Por angonoticias.com
Reditado para:Noticias do Stop 2017