
Um despacho da agência Lusa, de 19 de Julho dava conta da emissão pelo Estado angolano de 150.000 mil milhões de dólares (à data, cerca de 765 milhões de euros) em dívida pública " para financiar a sociedade Recredit, cujo propósito é comprar os créditos malparados e problemáticos da banca nacional".
Incluída numa autorização presidencial de 12 de Julho, esta empreitada junta-se a outra emissão de dívida pública a favor da Recredit, no valor de 231.172 mil milhões de kwanzas (1.179 milhões de euros) realizada em Dezembro especificamente para comprar crédito malparado no BPC .
Maria João Neto, directora de Comunicação e Marca daquele banco disse ao OPaís que a anunciada transacção com a Recredit apenas cobre dois casos, ambos executados por iniciativa dos clientes. " Temos um rácio de solvabilidade que a 30 de Junho estava em 21 por cento, ou seja o dobro do estabelecido pelo BNA , sendo que as provisões constituídas cobrem 104 por cento do crédito em situação irregular. Os casos que nos ligam à Recredit foram desencadeados pelos próprios clientes, no caso, dois. Por conseguinte somos um banco sólido!".
A Recredit é uma sociedade anónima de capitais públicos criada em 2016 e participada em 100 por cento pelo ministério das Finanças . Inicialmente criada para absover o crédito malparado do BPC , estimado em mais de 2 mil milhões de dólares a Recredit viu o seu espaço de intervenção alargado a toda banca nacional.
Ela deverá igualmente adquirir crédito malparado do BNI, Banco Keve e do BCI .
A inclusão de bancos privados nesta operação criou alguns mal estar em vários sectores da sociedade civil, para quem ao invés do Estado assumir o seu passivo, com graves encargos para os contribuintes , os respectivos donos, como quaisquer outros empresários, deveriam "encaixar " as perdas. Para algumas correntes, na pior das hipóteses o Estado deveria optar por um bailout, modelo usado nos EUA em 2008, o qual prevê que uma vez rentabilizados e estabilizados os bancos devolvam o dinheiro ao Estado.
Comentado algumas reacções plasmadas em várias redes sociais, Maria João Neto disse que na verdade não se trata da compra de activos tóxicos, mas sim da aquisição de activos financeiros com forte potencial de geração de mais valias no longo prazo .
" Regra geral são activos recuperáveis, mas que necessitam de tempo para maturação, incluíndo, por exemplo, a melhoria do ambiente económico. Tem sido usado noutros geografias como mecanismo de refrescamento de carteiras de crédito , libertando-se liquidez para que novas operações possam ser financiadas. Comum nos Estados Unidos para o crédito à habitação".
Na semana passada, o presidente do Conselho de Administração da Recredit, Vicente Leitão disse que para os créditos que não tenham gerado valor económico , aquela instituição vai executar as garantias. Este exercício será executado tão logo se conclua que o dinheiro tomado pelo cliente é irrecuperável ou se tenham esgotado os mecanismos de recuperação do crédito. " Não há perdão de dívida".
Fonte:da Redação e Por angonoticias.com
Reditado para:Noticias do Stop 2017
