"O cibercrime é uma realidade transnacional e a única resposta é a cooperação"

Africa
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Um novo relatório da Interpol, intitulado “Avaliação das Ciberameaças em África 2026”, revelou que a inteligência artificial (IA) está presente em 55 % dos cibercrimes registados nos 36 países africanos incluídos no estudo. Segundo a análise, a IA permite que os ataques sejam executados com maior velocidade, em escala ampliada e com maior dificuldade de deteção, o que eleva significativamente o risco para organizações públicas e privadas. Em entrevista concedida à RFI, o jurista e investigador angolano Gaspar Micolo – especialista em Direito da Proteção de Dados e Cibersegurança – confirmou que a IA tem facilitado o acesso ilícito a bases de dados e informações sensíveis. Micolo sublinhou que a crescente sofisticação dos ataques exige uma resposta coordenada entre os Estados, apontando para a necessidade de reforçar a legislação nacional e de promover uma cooperação transfronteiriça eficaz. “A única forma de conter esta realidade transnacional é através de marcos jurídicos robustos e de mecanismos de colaboração entre as agências de segurança cibernética dos diferentes países”, afirmou o especialista. O relatório alerta ainda para a escassez de recursos humanos qualificados e para a falta de infraestruturas de segurança adequadas em muitas nações africanas, fatores que agravam a vulnerabilidade do continente. Diante desse cenário, a Interpol recomenda a criação de centros regionais de resposta a incidentes cibernéticos, a partilha de inteligência em tempo real e a implementação de programas de capacitação contínua para profissionais de TI. A adoção destas medidas, segundo os autores do estudo, poderia reduzir significativamente a incidência de crimes digitais e melhorar a resiliência das economias africanas frente à crescente ameaça da IA. Em síntese, o documento evidencia que o cibercrime já ultrapassou as fronteiras nacionais, exigindo uma ação conjunta e coordenada. Enquanto a tecnologia avança, os governos africanos precisam atualizar as suas políticas de segurança e intensificar a cooperação internacional para proteger dados críticos e garantir a confiança dos cidadãos e das empresas no ambiente digital.

Fonte: da Redação e da Rfi
Reeditado para: Noticias do Stop 2026
Outras fontes • AFP, AP, TASS, EBS
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