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Esboços da Bíblia - Livro de Oséias

3 anos 10 meses atrás #258 por Malaquias da Silva
Malaquias da Silva criou o tópico: Esboços da Bíblia - Livro de Oséias
Oséias (Os)


Livro das Escrituras Hebraicas, escrito por “Oséias, filho de Beeri”. (Os 1:1) Nele, a vida doméstica do escritor é comparada à relação de Deus com Israel. (Caps. 1-3) O livro mostra que Deus não aceita a mera cerimônia religiosa formal. (6:6) Põe em relevo também a misericórdia e a benevolência de Deus. 2:19; e 11:1-4; e 14:4.

Época e Local da Escrita. Oséias começou a servir como profeta numa época em que o Rei Uzias, de Judá (829-778 aC), e o Rei Jeroboão II, de Israel (844-804 aC), eram contemporâneos; portanto, não depois de 804 aC, o aparente fim do reinado de Jeroboão. (Os 1:1) O ministério profético de Oséias estendeu-se até o reinado do Rei Ezequias, de Judá, que começou a reinar por volta de 745 aC. Assim, estendeu-se por pelo menos 59 anos, ainda que, sem dúvida, abrangesse algum tempo dos reinados de Jeroboão II e de Ezequias, sendo assim um pouco mais longo. Embora Oséias registrasse uma profecia a respeito da destruição de Samaria (Os 13:16), ele não relatou seu cumprimento, o que provavelmente teria feito, caso a escrita do livro se tivesse estendido a 740 aC, data da queda de Samaria. Por conseguinte, o livro de Oséias foi evidentemente escrito no distrito de Samaria e concluído algum tempo entre 745 e 740 aC.

Cenário. O livro de Oséias diz respeito primariamente ao reino setentrional de Israel, de dez tribos (também chamado de Efraim, segundo o nome de sua tribo dominante, nomes estes que são usados de forma intercambiável no livro). Quando Oséias começou a profetizar, durante o reinado do Rei Jeroboão, Israel gozava de prosperidade material. Mas o povo rejeitara o conhecimento sobre Deus. (Os 4:6) Suas práticas iníquas incluíam derramamento de sangue, roubo, fornicação, adultério e a veneração de Baal e dos ídolos-bezerros. (2:8, 13; e 4:2, 13, 14; e 10:5) Depois da morte do Rei Jeroboão a prosperidade cessou, e passaram a prevalecer condições assustadoras, marcadas por inquietação e assassinatos políticos. (2Rs 14:2915:30) O fiel Oséias também profetizou em meio a tais circunstâncias. Por fim, em 740 aC, Samaria caiu diante dos assírios, trazendo o fim ao reino de dez tribos. 2Rs 17:6.

A esposa de Oséias e os filhos. Às ordens de Deus, Oséias tomou para si “uma esposa de fornicação e filhos de fornicação”. (Os 1:2) Isto não significa que o profeta se tenha casado com uma prostituta ou com uma mulher imoral que já tivesse filhos ilegítimos. Antes, indica que tal mulher se tornaria adúltera e que teria tais filhos depois de casar-se com o profeta. Oséias casou-se com Gômer, que “lhe deu à luz um filho”, Jezreel. (1:3, 4) Mais tarde Gômer deu à luz uma filha, Lo-Ruama, e, depois, um filho, chamado Lo-Ami, sendo ambos evidentemente frutos de seu adultério, visto que não se faz nenhuma referência pessoal ao profeta com relação aos nascimentos deles. (1:6, 8, 9) Lo-Ruama significa “[Com Ela] Não se Teve Misericórdia”, e o significado de Lo-Ami é “Não Meu Povo”, tais nomes indicando a desaprovação de Deus para com o volúvel Israel. Por outro lado, o nome do primogênito, “Jezreel”, que significa “Deus Semeará”, é aplicado de modo favorável ao povo, numa profecia de restauração. [Perguntas de Estudo] 2:21-23.
Após o nascimento desses filhos, Gômer, aparentemente, abandonou Oséias em troca de seus amantes, mas não se diz que o profeta se divorciou dela. Evidentemente, mais tarde ela foi abandonada pelos amantes e caiu na pobreza e na escravidão, pois Oséias 3:1-3 parece indicar que o profeta comprou-a como se fosse escrava e acolheu-a de volta como esposa. Seu relacionamento com Gômer comparava-se ao de Deus com Israel, dispondo-se Deus a acolher de volta seu povo errante, depois que este se arrependeu de seu adultério espiritual. Os 2:16, 19, 20; 3:1-5.
Alguns peritos bíblicos acham que o casamento de Oséias é visionário, um transe, ou um sonho, que nunca se realizou. Contudo, o profeta não disse nem indicou que se tratava de uma visão, ou de um sonho. Outros acham que o casamento é uma alegoria ou parábola. Mas Oséias não usou terminologia simbólica ou figurada ao considerá-lo. Encarar isso como relato do casamento factual de Oséias com Gômer e da volta literal de Gômer ao profeta, dá força e significado à aplicação histórica e factual desses assuntos a Israel. Não distorce o claro relato bíblico, e harmoniza-se com o fato de Deus ter escolhido Israel, com o subseqüente adultério espiritual da nação, e seu retorno a Deus, quando o povo se arrependeu.

Estilo. O estilo de escrita de Oséias é conciso, até mesmo abrupto, às vezes. Há rápidas mudanças de pensamento. O livro contém expressões de grande sentimento e vigor, em forma de censura, avisos e exortações, bem como ternos apelos ao arrependimento. E contém excelentes figuras de linguagem. Os 4:16; 5:13, 14; 6:3, 4; 7:4-8, 11, 12; 8:7; 9:10; 10:1, 7, 11-13; 11:3, 4; 13:3, 7, 8, 15; 14:5-7.

Canonicidade. O livro de Oséias é o primeiro na ordem dos chamados profetas menores nas Bíblias comuns em português, bem como nos antigos textos hebraicos e da Septuaginta. Jerônimo especificou que uma das divisões dos livros sagrados dos judeus era O Livro dos Doze Profetas, que por certo incluía o livro de Oséias para completar 12. Melito, do segundo século dC, deixou um catálogo incluindo esses livros, como também o fizeram Orígenes e outros.

Harmonia com Outros Livros da Bíblia. Este livro se harmoniza com os pensamentos expressos em outras partes da Bíblia. (Por exemplo, compare Os 6:1 com Dt 32:39; Os 13:6 com De 8:11-14; 32:15, 18.) O livro de Oséias fala de ocorrências registradas em outras partes das Escrituras, tais como incidentes envolvendo Jacó (Os 12:2-4, 12; Gn 25:26; 32:24-29; 29:18-28; 31:38-41), o Êxodo de Israel do Egito (Os 2:15; 11:1; 12:13), a infidelidade de Israel com relação a Baal de Peor (Os 9:10; Nm 25) e ter a nação pedido um rei humano (Os 13:10, 11; 1Sm 8:4, 5, 19-22).

Uso nas Escrituras Gregas Cristãs. Jesus Cristo citou duas vezes Oséias 6:6, usando as palavras: “Misericórdia quero, e não sacrifício.” (Mt 9:13; 12:7) Ele se referiu a Oséias 10:8 ao proferir o julgamento contra Jerusalém (Lc 23:30), e esta declaração foi usada em Revelação (Apocalipse) 6:16. Tanto Paulo como Pedro usaram Oséias 1:10 e 2:23. (Rm 9:25, 26; 1Pe 2:10) Paulo citou Oséias 13:14 (LXX) ao considerar a ressurreição, perguntando: “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?” 1Co 15:55; compare também Os 14:2 com He 13:15.

Profecias Cumpridas. As palavras proféticas de Oséias 13:16 a respeito da queda de Samaria se cumpriram. A profecia de Oséias também mostrava que Israel seria abandonado por seus amantes entre as nações. (Os 8:7-10) Deveras, não foram de nenhuma ajuda quando Samaria foi destruída e os habitantes de Israel se tornaram cativos dos assírios, em 740 aC. 2Rs 17:3-6.
A profecia de Oséias predisse que Deus enviaria um fogo para dentro das cidades de Judá. (Os 8:14) No 14.° ano do reinado do Rei Ezequias, o rei assírio Senaqueribe “subiu . . . contra todas as cidades fortificadas de Judá e passou a tomá-las”. (2Rs 18:13) No entanto, Oséias também profetizou que Deus salvaria Judá. (Os 1:7) Isto ocorreu quando Deus frustrou o planejado ataque de Senaqueribe contra Jerusalém, e o anjo de Deus destruiu 185.000 homens do exército assírio numa só noite. (2Rs 19:34, 35) Mas um “fogo” muito mais desastroso sobreveio quando Jerusalém e as cidades de Judá foram destruídas pelo Rei Nabucodonosor, de Babilônia, em 607 aC. 2Cr 36:19; Jr 34:6, 7.
Todavia, em harmonia com as profecias inspiradas de restauração, encontradas no livro de Oséias, um restante do povo de Judá e de Israel foi ajuntado e emergiu da terra do exílio, Babilônia, em 537 aC. (Os 1:10, 11; 2:14-23; 3:5; 11:8-11; 13:14; 14:1-8; Ed 3:1-3) Paulo usou Oséias 1:10 e 2:23 para frisar a benignidade de Deus expressa para com os “vasos de misericórdia”, e Pedro também usou esses textos. Tais aplicações apostólicas mostram que as profecias também dizem respeito ao misericordioso ajuntamento de um restante espiritual, realizado por Deus. Rm 9:22-26; 1Pe 2:10.
No livro de Oséias há também profecias messiânicas. Mateus aplicou as palavras de Oséias 11:1 (“do Egito chamei o meu filho”) ao menino Jesus, que foi levado ao Egito, porém, mais tarde, reconduzido a Israel. Mt 2:14, 15.

DESTAQUES DE OSÉIAS

Profecias dirigidas primariamente a Israel (o reino setentrional, também chamado de Efraim) e que salientam a extraordinária misericórdia de Deus.
Escrito por Oséias depois de 745 aC, pouco antes de Israel ser levado ao exílio pela Assíria.

Os tratos de Deus com Israel são ilustrados pela vida doméstica de Oséias. (1:1-3:5)
Ordena-se a Oséias que se case com uma mulher que mais tarde mostra ser adúltera, o que ilustra a infidelidade de Israel para com Deus.
Com sua esposa Gômer, Oséias tem um filho chamado Jezreel. Os dois próximos filhos de Gômer, Lo-Ruama (que significa “[Com Ela] Não se Teve Misericórdia”), e Lo-Ami (que significa “Não Meu Povo”), são evidentemente frutos de seu adultério; os significados dos nomes referem-se a Deus retirar a misericórdia para com Israel e rejeitar seu povo infiel.
Tendo sofrido o julgamento divino por deslealmente ter-se voltado para a adoração de Baal, Israel será restaurado e de novo usufruirá bênçãos, cumprindo o significado do nome Jezreel (isto é, “Deus Semeará”).
Ordena-se a Oséias que tome de volta sua esposa adúltera; ele assim o faz, mas restringe as atividades dela, proibindo a fornicação indicativo da situação de Israel até a época de retornar a Deus.

Julgamentos proféticos contra Israel (e Judá) por infidelidade para com Deus. (4:1-13:16)
Por envolver-se em fraude, assassinato, roubo, adultério, idolatria e prostituição espiritual, o povo mostra que não conhece a Deus; assim, enfrentam uma prestação de contas.
A idolatria de Israel, sua corrupção moral, sua tola busca de alianças políticas com potências antagônicas, (Egito e Assíria), em vez de confiar em Deus para ter segurança, levará à devastação do país e os sobreviventes serem levados à Assíria.

Apelo para retornar a Deus. (14:1-9)
Insta-se com o povo a pedir o perdão de Deus, a oferecer os novilhos de seus lábios, e a não mais buscar proteção em alianças militares e cavalos de guerra.
O retorno deles a Deus resultará em cura, em ele os amar liberalmente e numa condição próspera sob a Sua bênção.

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