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Esboços da Bíblia - Livro de Jeremias

3 anos 10 meses atrás #254 por Malaquias da Silva
Malaquias da Silva criou o tópico: Esboços da Bíblia - Livro de Jeremias
Jeremias (Jr)


Escritor: Jeremias.
Lugares da Escrita: Judá e Egito.
Escrita Completada: c. 580 a.C.
Tempo Abrangido: c. 647–580 a.C.

O Profeta Jeremias viveu numa época perigosa e turbulenta. Por volta do ano 647 a.C., o 13.° ano do reinado do Rei Josias de Judá, que temia a Deus, e o Senhor Deus o comissionou. Durante os trabalhos de restauração da casa do Senhor, encontrou-se e leu-se perante o rei o livro da Lei de Deus. Josias empenhou-se em fazer com que fosse cumprida, mas, no máximo, só pôde deter temporariamente o desvio para a idolatria. O avô de Josias, Manassés, que reinou 55 anos, e seu pai, Amom, que foi assassinado depois de um reinado de apenas 2 anos, ambos agiram de modo iníquo. Induziram o povo a praticar repugnantes orgias e ritos horríveis, de modo que estava habituado a oferecer incenso à “rainha dos céus” e sacrifícios humanos a deuses demoníacos. Manassés inundou Jerusalém de sangue inocente. (Jr.1:2; 44:19; 2Reis.21:6,16,19-23; 23:26,27).

A tarefa de Jeremias não era fácil. Tinha de servir na qualidade de profeta de Deus e anunciar a desolação de Judá e de Jerusalém, bem como que o magnífico templo de Deus seria incendiado e que seu povo seria levado ao cativeiro - catástrofes quase inacreditáveis! Havia de continuar a profetizar em Jerusalém por 40 anos, durante os reinados dos maus reis Jeoacaz, Jeoiaquim, Joaquim (Conias) e Zedequias. (Jr.1:2,3) Mais tarde, no Egito, tinha de profetizar contra as idolatrias dos refugiados judeus ali. Seu livro foi completado em 580 a.C..
O período abrangido pelo livro de Jeremias é, portanto, de 67 anos, período este cheio de acontecimentos. (Jr.52:31).

O nome do profeta e de seu livro é, em hebraico, Yir·meyáh ou Yir·meyá·hu, que significa, talvez: “Deus Exalta; ou: Deus Solta [provavelmente da madre]”. Esse livro figura em todos os catálogos das Escrituras Hebraicas, e a sua canonicidade é geralmente aceita. O modo impressionante do cumprimento de diversas profecias durante a própria vida de Jeremias atesta plenamente a sua autenticidade. Outrossim, as Escrituras Gregas Cristãs mencionam diversas vezes o nome de Jeremias. (Mt.2:17,18;16:14;27:9) Que Jesus estudou o livro de Jeremias, é evidenciado pelo fato de que, quando purificou o templo, citou a um só tempo as palavras de Jeremias.7:11 e de Isaías.56:7. (Mc.11:17; Lc.19:46) Por causa de sua intrepidez e coragem, algumas pessoas chegaram a pensar que Jesus fosse Jeremias. (Mt.16:13,14) A profecia de Jeremias relativa a um novo pacto (Jr. 31:31-34) é mencionada por Paulo, em Hebreus 8:8-12 e 10:16,17. Paulo cita Jeremias 9:24, ao dizer: “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.” (1Co.1:31) Apocalipse 18:21 faz uma aplicação mais poderosa ainda da ilustração de Jeremias (51:63,64) sobre a ruína de Babilônia.
As descobertas arqueológicas também confirmam o relato de Jeremias. Por exemplo, uma crônica babilônica fala da tomada de Jerusalém por Nabucodonosor (Nabucodorosor) que capturou o rei (Joaquim) e nomeou outro (Zedequias) que ele próprio escolheu. (24:1; 29:1,2; 37:1.)

Possuímos uma biografia mais completa de Jeremias do que de quaisquer dos outros profetas da antiguidade, com exceção de Moisés. Jeremias revela muitas coisas a respeito de si mesmo, de seus sentimentos e de suas emoções, o que indica que ele era dotado de intrépido destemor e coragem, temperados pela humildade e ternura de coração. Além de sua função como profeta, era sacerdote, compilador da Escritura e historiador exato. Ele era filho do sacerdote Hilquias, de Anatote, uma cidade reservada aos sacerdotes, no interior, ao norte de Jerusalém, “na terra de Benjamim”.(1:1) O estilo de Jeremias é claro, direto e fácil de compreender. Há grande número de comparações e muita linguagem figurada, e o livro é redigido tanto em prosa como em forma de poesia.

CONTEÚDO DE JEREMIAS

A matéria não está em ordem cronológica, mas, antes, segundo os assuntos. Assim, a narrativa faz muitas mudanças quanto ao tempo e circunstâncias. Por fim, descreve-se a desolação de Jerusalém e de Judá, em todos os pormenores, no capítulo 52. Isto não só mostra o cumprimento de grande parte da profecia, mas fornece também uma tela de fundo para o livro de Lamentações que vem em seguida.

Deus comissiona a Jeremias (1:1-19). Será que foi porque Jeremias queria ser profeta ou porque procedia de família sacerdotal que foi comissionado? Deus mesmo explica: “Antes de formar-te no ventre, eu te conheci, e antes de saíres da madre, eu te santifiquei. Eu te constituí profeta para as nações.” É uma designação da parte de Deus. Está Jeremias disposto a ir? Humildemente, ele apresenta a desculpa: “Sou apenas rapaz.” Deus o tranqüiliza, dizendo: “Eis que pus as minhas palavras na tua boca. Vê, comissionei-te no dia de hoje para estares sobre as nações e sobre os reinos, para desarraigares, e para demolires, e para destruíres, para derrubares, para construíres e para plantares.” Jeremias não deve temer. “Por certo lutarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti, pois ‘eu estou contigo’, é a pronunciação do Senhor, ‘para te livrar’.” (1:5,6,9,10,19).

Jerusalém é esposa infiel (2:1-6:30). Que mensagem traz a palavra de Deus a Jeremias? Jerusalém esqueceu o seu primeiro amor. Ela abandonou a Deus, a Fonte de águas vivas, e prostituiu-se com deuses estranhos. De videira seleta de casta tinta, ela se transformou “em varas degeneradas duma videira estrangeira”. (2:21) Suas saias ficaram manchadas do sangue das almas dos pobres inocentes. Até mesmo Israel, que se prostituiu, provou ser mais justa do que Judá. Deus convida esses filhos renegados a retornar a ele, pois ele é o dono marital deles. Mas agiram como esposa infiel. Poderão retornar, se se desfizerem de suas coisas repugnantes e circuncidarem seu coração. “Levantai um sinal de aviso rumo a Sião”, pois Deus trará uma calamidade procedente do norte. (4:6) Derrocada sobre derrocada! Como leão que sai de sua moita, como vento causticante que sopra através do ermo, assim virá o executor de Deus com seus carros como um tufão.
Percorra Jerusalém. O que vê? Apenas transgressões e infidelidade! O povo negou a Deus, e a Sua palavra na boca de Jeremias tem de tornar-se um fogo para o devorar como pedaços de lenha. Visto que os israelitas abandonaram a Deus para servir um deus estranho, Ele também os fará servir a estrangeiros, numa terra estranha. São obstinados! Têm olhos, mas não podem ver, têm ouvidos, mas não podem ouvir. Que horror! Os profetas e os sacerdotes profetizam na realidade com falsidade, “e meu próprio povo amou-o assim”, diz Deus. (5:31) A calamidade vem do norte, e contudo, “desde o menor até mesmo ao maior deles, cada um obtém para si um lucro injusto”. Dizem: “‘Há paz! Há paz’! quando não há paz.” (6:13,14) Mas, o assolador virá subitamente. Deus fez de Jeremias um examinador de metais entre eles, mas não há nada senão escória e prata rejeitada. São totalmente maus.

Aviso de que o templo não é proteção (7:1-10:25). A palavra de Deus vem a Jeremias e ele tem de fazer proclamação junto ao portão do templo. Ouça-o proclamar aos que vão entrando nele: ‘Jactam-se sobre o templo de Deus, mas o que estão fazendo? Oprimem o órfão e a viúva, derramam sangue inocente, andam atrás de outros deuses, furtam, assassinam, adulteram, perjuram e oferecem sacrifícios a Baal! Hipócritas! Têm feito da casa de Deus “um mero covil de salteadores”. Lembrem-se do que Deus fez a Silo. Ele fará o mesmo à sua casa, ó Judá, e os lançará fora, assim como lançou fora a Efraim (Israel), ao norte.’ (Jr.7:4-11; 1Sam.2:12-14; 3:11-14; 4:12-22).
É inútil orar por Judá. O povo até mesmo faz bolos para sacrificar à “rainha dos céus”! Deveras, “esta é a nação cujo povo não obedeceu à voz do Senhor, seu Deus, e que não aceitou a disciplina. Pereceu a fidelidade”. (Jr.7:18,28) Judá colocou coisas repugnantes na casa de Deus, e queimou seus filhos e suas filhas nos altos de Tofete, no vale de Hinom. Eis que será chamado “o vale da matança”, e seus cadáveres servirão de comida para as aves e para os animais. (7:32) A alegria e a exultação hão de cessar em Judá e em Jerusalém.
Esperava-se a paz e a cura, mas eis o terror! Por causa da obstinação deles, o resultado será dispersão, extermínio e lamentação. ‘Senhor é o Deus vivente e o Rei por tempo indefinido.’ Quanto aos deuses que não fizeram os céus e a terra, não há espírito neles. São vaidade e trabalho de zombaria, e perecerão. (10:10-15) Deus lançará fora os habitantes do país. Escute! Um grande retumbo desde a terra do norte que desolará as cidades de Judá. O profeta reconhece que ‘não é do homem terreno o dirigir o seu caminho’, e ora pedindo para ser corrigido, a fim de que não seja aniquilado. (10:23).

Maldição sobre os que violam o pacto (11:1-12:17). Judá desobedeceu aos termos do seu pacto com Deus. É em vão que o povo pede ajuda. Jeremias não deve orar por Judá, pois Deus “acendeu um fogo” para consumir esta outrora frondosa oliveira. (11:16) Jeremias, ameaçado de morte pelo povo de Anatote, sua cidade natal, volta-se para Deus em busca de força e ajuda. Deus promete punir os habitantes de Anatote. Jeremias pergunta: ‘Por que é que o caminho dos iníquos tem prosperado?’ Deus assegura-lhe: ‘Desarraigarei e destruirei a nação desobediente.’ (12:1,17.)

Jerusalém é irreformável e está condenada (13:1-15:21). Jeremias conta que Deus lhe ordenou que pusesse um cinto de linho sobre seus quadris e daí o escondesse na fenda dum rochedo junto ao Eufrates. Quando Jeremias foi retirá-lo, estava arruinado. “Não prestava para nada.” Assim Deus mostra a sua decisão de arruinar “o orgulho de Judá e o orgulho abundante de Jerusalém”. (13:7,9) Deus espatifará a ambas na embriaguez delas, como grandes talhas cheias de vinho. “Pode o cusita mudar a sua pele ou o leopardo as suas malhas?” (13:23) Da mesma forma, Jerusalém é irreformável. Jeremias não deve orar por seus habitantes. Mesmo que Moisés e Samuel intercedessem por eles a Deus, este não os escutaria, pois já determinou devotar Jerusalém à destruição. Deus fortalece a Jeremias para enfrentar os que o vituperam. Jeremias encontra as palavras de Deus e as come, resultando em ‘exultação e alegria de seu coração’. (15:16) Não é momento para pilhérias, mas para confiar em Deus que prometeu estabelecer Jeremias como muralha fortificada de cobre contra aquele povo.

Deus enviará pescadores e caçadores (16:1-17:27). Em vista da desolação iminente, Deus dá a seguinte ordem a Jeremias: “Não deves tomar para ti uma esposa e não deves vir a ter filhos e filhas neste lugar.” (16:2) Não é tempo nem de se lamentar nem de banquetear-se com o povo, pois Deus está prestes a arremessá-los daquela terra. Deus promete também enviar ‘pescadores para pescá-los e caçadores para caçá-los’, e, com tudo isso, “terão de saber que [seu] nome é SENHOR”. (16:16,21) O pecado de Judá está gravado no seu coração com estilo de ferro, sim, com ponta de diamante. “O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado”, mas Deus pode esquadrinhar o coração. Ninguém pode enganá-lo. Os apóstatas “abandonaram a fonte de água viva, Deus”. (17:9,13) Se Judá não santificar o dia de sábado, Deus fará que o fogo devore seus portões e suas torres.

O oleiro e o barro (18:1-19:15). Deus ordena a Jeremias que vá à casa do oleiro. Ele observa ali como o oleiro transforma um vaso de barro que está estragado em outro vaso segundo o seu agrado. Deus declara então ser o Oleiro da casa de Israel, tendo o poder de demolir ou de edificar. A seguir, diz a Jeremias que leve uma botija de oleiro ao vale de Hinom e anuncie ali a calamidade que Deus fará vir, porque o povo encheu essse lugar de sangue inocente, queimando seus filhos como holocaustos para Baal. Daí, Jeremias precisa quebrar a botija para mostrar como Deus destroçará Jerusalém e o povo de Judá.

Não há desistência sob perseguição (20:1-18). Pasur, o comissário do templo, irritado com a intrépida pregação de Jeremias, coloca-o no tronco por uma noite. Ao ser solto, Jeremias prediz o cativeiro e a morte de Pasur em Babilônia. Angustiado por ser objeto de escárnio e por causa do vitupério lançado contra ele, Jeremias cogita desistir. Entretanto, não consegue ficar calado. A palavra de Deus vem a ser-lhe ‘no coração como fogo ardente, encerrado nos seus ossos’, de modo que ele se sente compelido a falar. Embora amaldiçoe o dia em que nasceu, ele clama: “Cantai ao Senhor! Louvai a Deus! Porque livrou a alma do pobre da mão dos malfeitores.” (20:9,13).

A indignação de Deus contra os governantes (21:1-22:30). Em resposta a uma pergunta de Zedequias, Jeremias lhe informa que a ira de Deus se acendeu contra a cidade: O rei de Babilônia a sitiará, e ela será destruída pela pestilência, pela espada, pela fome e pelo fogo. Salum (Jeoacaz) morrerá no exílio, Jeoiaquim será sepultado como um jumento, e seu filho Conias (Joaquim) será lançado fora de Judá para morrer em Babilônia.

Esperança num “renovo justo” (23:1-24:10). Deus promete que verdadeiros pastores substituirão os pastores falsos, e que “um renovo justo”, da descendência de Davi, um rei, “há de reinar e agir com discrição, e executar o juízo e a justiça na terra”. Qual é o seu nome? “Será chamado: Deus É Nossa Justiça.” Ele ajuntará o restante disperso. (23:5,6) Se os profetas tivessem ficado no grupo íntimo de Deus, teriam feito o povo ouvir e desviar-se do seu caminho mau. Ao contrário, diz o Senhor, “fazem meu povo vaguear por causa das suas falsidades”. (23:22, 32) “Eis duas cestas de figos.” Jeremias usa os figos bons e os ruins para ilustrar que um restante fiel retornará à sua terra no favor do Senhor seu Deus, ao passo que outro grupo terá um fim calamitoso. ( 24:1,5,8-10).

A controvérsia de Deus com as nações (25:1-38). Este capítulo resume os julgamentos expostos em pormenores nos capítulos 45-49. Por meio de três profecias paralelas, Deus pronuncia agora calamidade para todas as nações da terra. Em primeiro lugar, Nabucodorosor é identificado com o servo de Deus para devastar a Judá e as nações em sua volta, e “estas nações terão de servir ao rei de Babilônia por setenta anos”. Depois disso, será a vez de Babilônia, e ela se tornará “baldios desolados por tempo indefinido”. (25:1-14).
A segunda profecia consiste na visão do copo de vinho do furor do Senhor Deus. Jeremias tem de levar esse copo às nações, e elas “terão de beber, e balouçar, e agir como homens endoidecidos”, porque Deus as destruirá. Primeiro, tem de levá-lo a Jerusalém e a Judá! Daí, ao Egito, depois, à Filístia, em seguida, tem de passar para o outro lado, para Edom, depois para cima, para Tiro, a países em toda a parte, e para “todos os outros reinos da terra que há na superfície do solo; e o próprio rei de Sesaque beberá após eles”. ‘Beberão, vomitarão e cairão’. Nenhum deles será poupado. (25:15-29).
Na terceira profecia, Jeremias emprega um estilo poético de extrema beleza. “Do alto bramirá o próprio Deus . . . contra todos os habitantes da terra.” Um barulho, uma calamidade, uma grande tormenta! “E os mortos por Deus certamente virão a estar naquele dia de uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra.” Não haverá lamentos nem sepultamentos. Serão como estrume sobre o solo. Os falsos pastores serão mortos junto com os majestosos do seu rebanho. Não há escape para eles. Ouça o uivo deles! O próprio Deus “está assolando seu pasto . . . por causa da sua ira ardente”. (25:30-38.)

Jeremias vindicado (26:1-28:17). Os governantes e o povo conspiram matar Jeremias. O profeta faz a sua defesa. É a palavra de Deus que ele falou. Se o matarem, terão matado um homem inocente. O veredicto: não culpado. Os anciãos relembram os precedentes dos profetas Miquéias e Urijá, ao considerarem o caso de Jeremias. A seguir, Deus ordena a Jeremias que faça ligaduras e jugos e os ponha sobre seu pescoço, e daí os envie às nações vizinhas para anunciar que serão subjugadas pelo rei de Babilônia por três gerações de governantes. Hananias, um dos falsos profetas, opõe-se a Jeremias. Declara que o jugo de Babilônia será quebrado em dois anos, e retrata isto quebrando o jugo de madeira. Deus reforça a sua profecia, mandando Jeremias fazer jugos de ferro e anunciar que Hananias morrerá naquele ano. Hananias morre mesmo.

Consolo para os exilados em Babilônia (29:1-31:40). Jeremias escreve aos exilados levados a Babilônia com Jeconias (Joaquim): Estabeleçam-se aí, pois haverá um período de 70 anos de exílio antes de Deus os trazer de volta. Deus ordena a Jeremias que escreva num livro a respeito do retorno deles: Deus quebrará seu jugo, e eles “certamente servirão ao Senhor, seu Deus, e a Davi, seu rei, a quem [eu, o Senhor] levantarei para eles”. (30:9) Raquel deve reter sua voz do choro, pois seus filhos certamente “retornarão da terra do inimigo”. (31:16) E, agora, uma declaração tranqüilizadora de Deus! Ele concluirá com as casas de Judá e de Israel um novo pacto. Este pacto será muito maior do que aquele que eles violaram! Deus escreverá a sua lei no íntimo deles, no seu coração. “E vou tornar-me seu Deus e eles mesmos se tornarão meu povo.” Desde o menor até o maior, todos conhecerão a Deus, e ele perdoará o erro deles. (31:31-34) A sua cidade será reedificada como algo santo para Deus.

Confirmado o pacto de Deus com Davi (32:1-34:22). Durante o último sítio de Jerusalém, por parte de Nabucodorosor, Jeremias fica sob restrição. Todavia, como sinal de que Deus há de restaurar Israel, Jeremias compra um campo em Anatote e guarda as escrituras num vaso de barro. A palavra de Deus traz agora boas novas: Judá e Jerusalém se regozijarão de novo, e Deus cumprirá o seu pacto com Davi. Mas tu, ó Zedequias, fica avisado de que o rei de Babilônia incendiará esta cidade e tu mesmo irás ao cativeiro em Babilônia. Ai dos donos de escravos que concordaram em libertar seus escravos, mas violaram o seu pacto!

A promessa de Deus a Recabe (35:1-19). Nos dias do Rei Jeoiaquim, Deus envia Jeremias aos recabitas. Estes haviam buscado refúgio em Jerusalém quando os babilônios se aproximaram pela primeira vez. Jeremias lhes oferece vinho. Eles recusam beber, por causa da ordem de seu antepassado Jonadabe, dada mais de 250 anos antes. Deveras, que notável contraste com a conduta infiel de Judá! Deus lhes promete: “De Jonadabe, filho de Recabe, não se decepará homem, impedindo-o de ficar de pé diante de mim para sempre.” (35:19).

Jeremias reescreve o livro (36:1-32). Deus ordena a Jeremias que escreva todas as palavras de suas profecias até a data. Jeremias as dita a Baruque, que então as lê em voz alta na casa de Deus, num dia de jejum. O Rei Jeoiaquim manda trazer o rolo, e, ao ouvir uma parte dele, rasga-o furiosamente e o joga no fogo. Ele dá ordens para prenderem Jeremias e Baruque, mas Deus os esconde e ordena a Jeremias que reescreva o rolo.

Os últimos dias de Jerusalém (37:1-39:18). A narrativa volta ao reinado de Zedequias. Este rei pede a Jeremias que ore ao Senhor Deus em favor de Judá. O profeta recusa fazer isso, dizendo que é certa a destruição de Jerusalém. Jeremias tenta ir a Anatote, mas é apanhado como desertor, é espancado e encarcerado por muitos dias. Daí, Zedequias manda buscá-lo. Há alguma palavra da parte de Deus? Sim, certamente que há! “Serás entregue na mão do rei de Babilônia!” (37:17) Furiosos com a sua persistência em profetizar ruína, os príncipes lançam Jeremias numa cisterna cheia de lama. Ebede-Meleque, o etíope, eunuco na casa do rei, intercede bondosamente pelo profeta, de modo que Jeremias é socorrido da morte lenta, mas fica em detenção no Pátio da Guarda. Zedequias novamente manda buscar Jeremias que lhe dá o conselho: ‘Entregue-se ao rei de Babilônia, senão irá ao cativeiro e Jerusalém será destruída!’ (38:17,18).
O sítio de Jerusalém dura 18 meses, e, no 11º ano de Zedequias, faz-se uma brecha na cidade. O rei foge com o seu exército, mas é apanhado. Seus filhos e os nobres são chacinados diante de seus olhos, e ele é cegado e levado em grilhões para Babilônia. A cidade é incendiada e reduzida a ruínas, e todos, exceto alguns pobres, são levados ao exílio em Babilônia. Por ordem de Nabucodorosor, Jeremias é solto do pátio da guarda. Antes de sua soltura, o profeta fala a Ebede-Meleque sobre a promessa de Deus de o salvar, ‘porque confiou em Deus’ (39:18).

Últimos eventos em Mispá e no Egito (40:1-44:30). Jeremias fica em Mispá com Gedalias, a quem os babilônios nomeiam governador sobre o povo remanescente. Dois meses mais tarde, Gedalias é assassinado. O povo procura o conselho de Jeremias, e ele lhes transmite a palavra do Senhor: ‘O Senhor não os desarraigará desta terra. Não temam por causa do rei de Babilônia. Se, porém, descerem ao Egito, morrerão!’ Assim mesmo, eles descem ao Egito, levando a Jeremias e a Baruque com eles. Em Tafnes, no Egito, Jeremias dá a conhecer o julgamento de condenação pronunciado por Deus: O rei de Babilônia estabelecerá o seu trono no Egito. É em vão Israel adorar os deuses do Egito e oferecer de novo sacrifícios à “rainha dos céus”. Esqueceram os israelitas que Deus trouxe desolação sobre Jerusalém por causa de sua idolatria? Deus trará calamidade sobre eles na terra do Egito, e não retornarão a Judá. Como sinal, Deus entregará o próprio Faraó Hofra nas mãos dos seus inimigos.

A sorte de Baruque (45:1-5). Baruque fica muito angustiado de ouvir as repetidas profecias de condenação proferidas por Jeremias. Baruque é aconselhado a pensar primeiro na obra de Deus de edificar e de derrubar em vez de procurar “grandes coisas” para si mesmo. (45:5) Ele será salvo de toda a calamidade.

A espada de Deus contra as nações (46:1-49:39). Jeremias fala das vitórias de Babilônia sobre o Egito em Carquemis e em outras partes. Embora as nações sejam exterminadas, Jacó permanecerá, mas não ficará impune. “A espada do Senhor” virá contra os filisteus, contra o orgulhoso Moabe e o jactancioso Amom, contra Edom e Damasco, Quedar e Hazor. (47:6) O arco de Elão será quebrado.

A espada de Deus contra Babilônia (50:1-51:64). Deus fala a respeito de Babilônia: Contem-no entre as nações. Não ocultem nada. Babilônia foi capturada e os seus deuses foram envergonhados. Fujam dela. Qual malho, ela que esmagou as nações de toda a terra, ela própria foi quebrada. “Ó Presunção”, opressora dos cativos Israel e Judá, saiba que Deus dos exércitos é o Resgatador deles. Babilônia se tornará um covil de animais uivantes. “Como se deu no derrubamento de Sodoma e de Gomorra, . . . por Deus . . ., não morará ali nenhum homem.” (50:31, 40) Babilônia tem sido um copo de ouro nas mãos de Deus para embriagar as nações, mas, subitamente, ela caiu, de modo que ela própria está destroçada. Uivai por ela, povos. Deus despertou o espírito dos reis dos medos para que a arruínem. Os poderosos de Babilônia deixaram de lutar. Tornaram-se como mulheres. A filha de Babilônia será pisada, tornando-se dura como a eira. “Terão de dormir um sono de duração indefinida, do qual nunca acordarão.” O mar veio e cobriu Babilônia com a multidão das ondas. “Saí do meio dela, ó meu povo, e ponde cada um a sua alma a salvo da ira ardente do Senhor.” (51:39,45) Ouça o clamor, o grande estrondo de Babilônia! As armas de guerra de Babilônia têm de ser fragmentadas, pois o Senhor é um Deus de recompensa. Sem falta, ele retribuirá.
Jeremias ordena a Seraías: ‘Vai a Babilônia e lê em voz alta estas palavras da profecia contra Babilônia. Daí, amarra uma pedra no livro e lança-o no meio do Eufrates. “E terás de dizer: ‘Assim afundará Babilônia e nunca mais se levantará por causa da calamidade que trago sobre ela.’ (51:61-64).

História da queda de Jerusalém (52:1-34). Este relato é quase idêntico ao abrangido antes em 2Reis.24:18-20; 25:1-21,27-30.

TIRANDO PROVEITO PARA OS NOSSOS DIAS.

Esta profecia inspirada é sumamente edificante e proveitosa. Veja o corajoso exemplo do próprio profeta. Sem temer, ele proclamou uma mensagem impopular a um povo ímpio. Rejeitou a associação com os malfeitores. Compreendeu a urgência da mensagem de Deus, devotando-se de todo o coração à obra de Deus, sem desistir. Constatou que a palavra de Deus era semelhante a um fogo nos seus ossos, e era a exultação e a alegria de seu coração. (Jr.15:16-20; 20:8-13) Tenhamos nós sempre igual zelo pela palavra de Deus! Estejamos nós também sempre prontos a dar apoio leal aos servos de Deus, como deu Baruque a Jeremias. A obediência sincera dos recabitas é também um exemplo esplêndido para nós, assim como o é a bondosa consideração de Ebede-Meleque pelo perseguido profeta.(36:8-19,32; 35:1-19; 38:7-13; 39:15-18).

As palavras que Deus dirigiu a Jeremias se cumpriram com surpreendente exatidão. Isto certamente fortalece a nossa fé no poder de Deus de fazer profecias. Tome, por exemplo, as profecias, cujo cumprimento o próprio Jeremias viu, tais como: o cativeiro de Zedequias e a destruição de Jerusalém (Jr.21:3-10; 39:6-9), o destronamento e a morte no cativeiro do Rei Salum (Jeoacaz) (Jr.22:11,12; 2Reis.23:30-34; 2Cr.36:1-4), a deportação do Rei Conias (Joaquim) para Babilônia (Jr.22:24-27; 2Reis.24:15,16) e a morte, no espaço de um ano, do falso profeta Hananias. (Jr.28:16,17) Todas essas profecias, e outras mais, foram cumpridas exatamente como Deus predissera. Profetas e servos posteriores do Senhor também acharam que as profecias de Jeremias tinham peso e eram proveitosas. Por exemplo, Daniel compreendeu, lendo os escritos de Jeremias, que a desolação de Jerusalém duraria 70 anos, e Esdras chamou atenção para o cumprimento das palavras de Jeremias no fim dos 70 anos. (Dn.9:2; 2Cr.36:20,21; Ed.1:1; Jr.25:11,12; 29:10).

Na ocasião em que instituiu a celebração da Ceia do Senhor com seus discípulos, Jesus mostrou o cumprimento da profecia de Jeremias com relação ao novo pacto. Assim, ele se referiu ao “novo pacto em virtude do meu sangue”, por meio do qual seus discípulos obtiveram perdão de seus pecados e foram ajuntados como nação espiritual de Deus. (Lc.22:20; Jr.31:31-34) Os gerados pelo espírito, convidados a participar do novo pacto, são os que Cristo introduz no pacto para o Reino, a fim de reinarem com ele nos céus. (Lc.22:29;Ap.5:9,10; 20:6) Este Reino é mencionado diversas vezes na profecia de Jeremias. Em meio a todas as denúncias contra a Jerusalém sem fé, Jeremias apresentou um raio de esperança: “‘Eis que vêm dias’, é a pronunciação de Deus, ‘e eu vou suscitar a Davi um renovo justo. E um rei há de reinar e agir com discrição, e executar o juízo e a justiça na terra’.” Este rei será chamado “O SENHOR, Justiça Nossa”. (Jr.23:5,6).

Jeremias fala de novo de uma restauração: “E certamente servirão ao Senhor, seu Deus, e a Davi, seu rei, a quem levantarei para eles.” (30:9) Finalmente, ele fala da boa palavra que Deus tem dito a respeito de Israel e de Judá, no sentido de que “naqueles dias e naquele tempo [Deus fará] brotar um renovo justo para Davi”, para multiplicar a sua semente e para que haja “um filho reinante no seu trono”. (33:15,21) Tão certo quanto um restante voltou de Babilônia, assim o Reino deste justo “renovo” fará com que reine a justiça e a retidão sobre toda a terra. (Lc.1:32).

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